Múltiplas faces da depressão

depressãoA depressão tem uma alta prevalência na sociedade e traz repercussões negativas na qualidade de vida das pessoas, bem como a piora de condições médicas já existentes.

Os quadros depressivos podem ocorrer em todas as idades, condições sociais e períodos da vida, mas chamam atenção para o maior predomínio em mulheres entre 20 e 50 anos.

O transtorno depressivo caracteriza-se por alterações de humor para o pólo depressivo e pode afetar várias outras funções psíquicas com diferentes intensidades.

Devido a isso, cada indivíduo apresenta um tipo específico e individual de depressão. Por ser tão específico, a escolha terapêutica e o medicamento utilizado precisa ser avaliado em cada caso, de maneira diferente. Estudos mostram que em quadros puramente depressivos, o uso de antidepressivos auxilia na redução dos índices de suicídio e que a associação entre medicamentos e psicoterapia apresenta-se mais eficaz e efetiva do que ambas as intervenções isoladas.

A escolha da medicação deverá basear-se no perfil de efeitos colaterais e sintomas apresentados. Existe um período após o início das medicações para que os efeitos colaterais diminuam e os efeitos desejados iniciem. Nesta primeira fase do tratamento, é necessário ajustar a dosagem para atingir a remissão dos sintomas. Neste momento, pode-se optar pela associação de uma segunda droga como estratégia para potencialização terapêutica ou fazer troca de medicação caso não tenha obtido sucesso. Deve-se também avaliar os possíveis conflitos pessoais e interpessoais que possam prejudicar a recuperação ou representar fatores de suscetibilidade para a recorrência de novos sintomas depressivos.

A segunda fase ou fase de manutenção é tão importante quanto a primeira, nesta fase a dosagem do medicamento deve ser mantida igual a atingida na primeira fase. Esta fase tem seu período de tempo variável e depende de a pessoa já ter tido ou não episódios prévios. Para aqueles que apresentam depressão pela primeira vez, a duração média desta fase é de 12 meses, aqueles pacientes que enfrentam o segundo episódio depressivo, esta fase necessita de uma duração maior, são 24 meses em média e para quem teve maior número de episódios depressivos ou episódios muito graves, sugere-se manter o tratamento de manutenção por período indeterminado.

Na terceira ou última fase, o fármaco será retirado. A maneira como vai ser feita a suspensão do medicamento vai depender da medicação utilizada e da dosagem que estava sendo feita.

Este modelo de tratamento ajuda a prevenir recaídas precoces!

tpm 1DEPRESSÃO E CICLO MENSTRUAL

Muitas mulheres em idade reprodutivas tem alterações psíquicas significativas no período pré-menstrual, apresentam o sintomas depressivos e ansiosos.

A irritabilidade e a labilidade afetiva são frequentes. Algumas destas mulheres apresentam alterações de humor graves o bastante para repercutir em sua vida social e profissional durante a fase lútea do ciclo menstrual. Nestes casos, o diagnóstico de transtorno disfórico pré-menstrual pode estar presente e a realização de tratamento pode ajudar a passar por estes períodos sem tanto desgaste emocional e familiar.

DEPRESSÃO E DOENÇAS CRÔNICAS

Em portadores de doenças crônicas, os transtornos depressivos podem estar presentes de modo independente ou ser decorrente delas, ou ainda, causar ou exacerbar sintomas físicos como fadiga, mal estar, dor e alergias. É alta a prevalência de transtornos depressivos em pessoas com doenças crônicas.

Desse modo, todo portador de alguma patologia crônica deve ser investigado quanto a possível vigência de sintomas depressivos e quando presentes, deverão ser tratados. A escolha do antidepressivo deve-se basear no quadro depressivo apresentado e nos possíveis efeitos colaterais e interações entre eles e as outras drogas que estão sendo utilizadas.


depressao-na-gravidez blogDEPRESSÃO E GESTAÇÃO

As gestantes também podem apresentar quadros depressivos, alguns fatores associam-se a um maior risco: conflitos conjugais, idade jovem, suporte social inadequado e história prévia de quadros depressivos.

A depressão pós-parto acomete em média 10% das mulheres que deram a luz, embora um número bem maior sofra com sintomas mais leves de depressão, denominado blues, que regridem espontaneamente na primeira semana depois do nascimento do bebê.

Algumas mães com depressão pós-parto podem desenvolver sintomas de pânico e pensamentos intrusivos associados ao medo de machucar o bebê, outras podem apresentar quadros mais graves e necessitar de intervenção devido ao risco à mãe e ao bebê.

A decisão pelo tratamento farmacológico deve ser tomada sempre em associação entre a mãe, o parceiro e o psiquiatra que acompanha, ponderando os riscos e benefícios dos medicamentos. O uso de antidepressivos configura-se sempre uma problemática durante a gestação e a amamentação. Porém nem todos os fármacos são contraindicados, podendo ser mantidos ou iniciados, avaliando o risco-benefício para cada situação.

O transtorno depressivo não tratado adequadamente durante a gestação está relacionado a vários riscos. Entre eles estão os que afetam a mãe, o feto e o neonato como suicídio, negligência no pré-natal e nos cuidados maternos gerais antes e depois do parto, além do potencial de complicações de problemas relacionados a gravidez.

Durante a gestação e amamentação, deve-se usar a menor dose de medicação requerida, bem como evitar a associação de drogas. Outras abordagens terapêuticas são sempre bem vindas e podem auxiliar muito durante todo o período como: recrutamento de familiares para dar suporte social e diminuir os estressores ambientais, indicação de práticas de relaxamento e psicoterapias.

DEPRESSÃO E LUTO

A diferenciação entre luto e transtorno depressivo deve ser feita nos casos em que os sintomas típicos de luto se prolonguem ou se aprofundem para além do esperado. A presença de ideação de culpa, inutilidade, desesperança, tristeza muito forte, pensamentos recorrentes de morte, lentificação do pensamento e da mobilidade associados ou não a prejuízo funcional, favorecem o diagnóstico de depressão e a necessidade de intervenção e tratamento.

Menopausia-300 alturaDEPRESSÃO E MENOPAUSA

Embora não existam evidências mostrando a relação direta entre menopausa e depressão, mulheres com histórico da patologia parecem correr maior risco de apresentar transtornos depressivos quando se aproximam desta fase. A terapia de reposição hormonal parece facilitar a melhora dos sintomas depressivos, porem não substitui o tratamento com antidepressivos. Dessa maneira, é necessário avaliar sempre que existam sintomas depressivos, a necessidade de iniciar um acompanhamento.